segunda-feira, 17 de junho de 2013

O bolinho caipira tem mãe


Moqueca Indígena


A história mais próxima da origem do bolinho caipira é o bolinho de lambari, ainda presente em algumas residências do Vale do Paraíba. Em livro de 1928, encontramos uma receita dessa iguaria (veja ao lado).
Mas esse bolinho nasceu assim ou já era uma transformação das comidas antigas?
Pesquisando sobre o assunto e, principalmente, juntando informações aqui e ali, chegamos à pesquisa sobre a famosa moqueca indígena. Conhecida entre eles como pó-kêka. Pois bem, a moqueca é um enrolado de folhas que pode levar peixes, carnes ou outra coisa, e assado no moquém ou, até mesmo, no borralho - as cinzas do fogão, das trempes, moquéns e fogão a lenha. É sabido por depoimentos orais que, num certo tempo, foi acrescido a esses produtos um pirão de farinha de milho ou mandioca, em ponto grosso.
Existe ainda hoje em Caçapava, a moqueca de galinha, enrolada em folhas de caetês e assadas em forno ou na chapa.
Tem também na região bolinho caipira em que a carne é misturada no pirão de farinha e não colocada como recheio. Partindo dessas constatações, podemos sugerir o seguinte caminho para as transformações, até chegar ao bolinho caipira. Isso tudo num tempo de pelo menos 400 anos.
1-A moqueca indígena, que tinha somente pedaços de peixe, carne etc., embrulhados em folhas e assados no moquém;
2- A entrada do fubá ou farinha como um pirão, misturado com essas iguarias e ainda enrolados em folha de caetê, levados ao moquém ou assados na chapa ou no borralho;
3-A saída do peixe, de dentro do bolinho, e aí fritados e não mais assados; e
4- A entrada das carnes, primeiro a linguiça de porco, depois o frango e finalmente a carne de boi moída, como recheio ou misturada na massa (lembra a moqueca em caetê).
Finalizando, o bolinho pode ter raízes indígenas na sua formação, mas não pode ser uma comida indígena, pois os silvícolas não misturavam os ingredientes e também não fritavam nada.



Moqueca de Galinha

Bolinho de Lambarí




Bolinho caipira 





bolinhos de lambari

Limpe lambaris pequenos, lave bem e coloque ao sol pra secar até sumir toda a água. Coloque um litro de farinha de milho branca, peneirada, em uma tigela grande. Adicione cheiros-verdes bem picados, sal e coentro picadinho. Faça um refogado com  alho amassado, cebolinha picada, sal e pimenta. Junte um litro de água e deixe ferver. Escalde com este molho a farinha que já está misturada com os cheiros, mexa bem com uma colher, deixe esfriar e misture cinco ovos inteiros e uma colher bem cheia de farinha de mandioca peneirada. No momento de frigir, tire com uma colher um pouco de massa, coloque o lambari no meio dela, enrole bem e frite em gordura quente.


Cutuque aqui e veja videos de receitas. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

É TEMPO DE PINHÃO




Sabe aquela dificuldade pra descascar o saboroso pinhão ?

E dois é. O o pessoal de Cunha inventou uma maquininha de madeira pra facilitar a vida dos apreciadores

E dá pra fazer um facilmente. Veja a foto. 






As matas da região da Bocaina são locais onde a Araucária (araucaria angustifolia) predomina. Conhecida popularmente como pinheiro, gosta de regiões frias e úmidas, como é o caso da Serra do Mar. A exploração sem controle quase dizimou a espécie, mas, aos poucos, foi valorizada pelo homem, principalmente sua castanha, conhecida como pinhão.

A partir do descobrimento do Brasil, viajantes, que por aqui passavam, descreveram a planta como um alimento ideal para quem estivesse viajando. Sua amêndoa foi considerada tão boa quanto as européias, conhecida e consumida por eles. Durante muito tempo, foi alimento dos índios que derrubavam as pinhas com flecha.

Os tropeiros que passavam pela Bocaina usavam o pinhão como alimentação básica, devido ao seu valor energético, possuindo cálcio, proteínas e ferro.

Recentemente culinaristas e pesquisadores passaram a criar pratos usando a amêndoa. Com isso, o pinhão entrou forte na gastronomia, tornando-se um atrativo em vários restaurantes.

O pinhão é usado no preparo de sopas, massas, biscoitos, bolos ou no acompanhamento de pratos a base de truta ou carne.

O ponto alto é a Festa do Pinhão, realizada todo mês de abril, logo após a abertura da colheita. Alguns donos de restaurante congelam a amêndoa e continuam a servi-la durante o ano.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013

João Rural Lança novo livro.

TV Chão Caipira completa 3 anos



Capa do livro

A busca pela autenticidade da formação da comida caipira durante pelo menos trinta anos, levou o

 culinarista João Rural, de Paraibuna, Vale do Paraíba paulista e produzir mais um livro sobre o tema. "No Fundo do Tacho" , com 240 páginas mostra em belas fotos, receitas e entrevistas um pouco do que ainda resta na culinária regional do Vale do Paraíba. Em alguns casos João conseguiu quebrar tabus sobre usos e costumes e pratos regionais. É o caso da folha de bananeira tão falada e usada na atualidade pra assar peixes e carnes. "Na realidade eram as folhas de caetê e helicônia", afirma ele, argumentando principalmente que no Brasil não havia bananeira, além de outras colocações.  
O livro revela também que o famoso bolinho caipira tradicional do Vale,  veio da moqueca caipira, tão usada no passado. "No frigir dos ovos", como afirma João, o livro revela que o Vale do Paraíba foi realmente o berço da formação dos pratos tradicionais paulista e mineiro, devido aos primeiros caminhos, bandeiras e tropeiros que por alí passaram desde o descobrimento.  
O livro inova também nas fotos, onde o autor procurou fotografar a comida caipira na própria panela. " Fugi da mesmice de pratos arrumadinhos, que estamos acostumados a ver em revistas e cadernos especializados em culinária", ressalta João, alegando que a idéia é mostrar a comida caipira, como o caipira faz e serve no seu dia a dia.   



João Rural e seu livro


Frango inteiro 


Rapadura

Içá


segunda-feira, 11 de março de 2013

Festa popular de Paraibuna é exemplo


As festas voltaram
A volta das festas populares em Paraibuna tem vários fatores que alavancaram o setor. No período de 1950 a 1974, a população rural de Paraibuna foi praticamente tocada de suas terras pra construção das represas. Muita gente que conseguiu ficar no que sobrou, foi trabalhar nas obras, perdendo o tempo precioso de lazer familiar. Era trabalho 24 hrs por dia, pois as obras não podiam parar.
Assim muita gente foi deixando de ter tempo pra participar das atividades sociais dos bairros rurais, como festas, conferências e encontros familiares.
As festas religiosas foram então diminuindo de intensidade e até mesmo acabando em alguns bairros.  Essa pesquisa foi feita por mim no período de 1975 a 1976, como trabalho de faculdade. Em 1977, quando assumiu a Prefeitura Joaquim Rico ele me chamou, juntamente com o Seu Déia e Rubinho da Padaria, pra formarmos o que seria a primeira Comissão Municipal de Turismo.  Ao mesmo tempo, assumi a Diretoria de Educação e Cultura do município, que sequer ainda tinha setor de Turismo. Mas fomos trabalhando com cultura como produto turístico da cidade. 
O primeiro passo foi revitalizar as festas religiosas, em comum acordo com o pároco da época, Pe. Antonio e como complemento criando para cada uma, uma nova atração. A primeira festa a ser trabalhada foi a de São Sebastião, em janeiro. Juntamente com Gilberto Raimundo, foi feita uma pequena mostra de animais no campo de futebol e até rodeio. E leilão de animais. Ideia que um ano depois virou a Fapap e Festa do Milho, que foi extinta.  Na sequência a Festa de São  Benedito, que até então terminava na Igreja matriz. Invertemos, com a festa começando na Matriz, de onde saia a imagem do santo para a Vila Modesto, onde tudo acontecia, incluindo ai a criação de uma Feira do Artesanato, que já não existe mais.
Na Festa do Divino, foi discutida a sua realização no Bairro do Espírito Santo, onde os festeiros Agenor Nunes e Fia, aceitaram. Entramos com o apoio da prefeitura, com a limpeza do pátio, cessão do prédio da escola pra o baile arrasta-pé, a contratação de uma banda de Caraguatatuba e revitalização do Grupo de Moçambique que estava todo disperso e somente com alguns elementos. Foi comprado um uniforme pra todos. Nesta festa criamos a distribuição de doces que, no primeiro ano, acabou sendo feito por senhoras da cidade. O Déia cedia sua perua veraneio e a levava todos os dias cheia de mulheres pra preparação dos doces. No ano seguinte a comunidade tocou a festa sozinha.  No Corpus Christi apoiou-se as decorações das ruas com o transporte de flores, matos e materiais necessários.  Veio a Festa de Santo Antonio e mais novidades foram implantadas, como a volta do costume de servir o fogado, que estava parada. Criou-se aí mais atrações culturais, como shows de viola e até o surgimento dos bailes arrasta-pé, no casarão da Praça da Matriz. Até então, dia 12 de junho a noite era comemorado com baile social no Clube.
As Festas Juninas foram pra ruas, saindo dos muros do Grupo Escolar, onde acontecia. Na semana do folclore criamos o Festival de Brincadeiras, com brincadeiras típicas e lendas. No Natal teve início a realização do presépio, ainda com figuras compradas e a criação do Natal das Crianças, com distribuição de presentes.
Em janeiro de 78, foi a finalização de todo o projeto, com a criação da Fapap, que aconteceu no local onde está o Centro Comunitário e Escola irmã Zoe.

João Rural 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

João Rural e Paraibuna na Rede Minas





O caipirismo de Paraibuna, foi destaque num dos maiores programas de comida do Brasil, na Tv Rede Minas.

Confira os vídeos abaixo: